Festival de Besteiras Ateístas

Uma crítica à desonestidade de certas pessoas.

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Uma refutação à página “Fuja da Caverna” e a um video de Sam Harris

Este post será mais longo devido a uma maior complexidade na hora de lidar com as técnicas utilizadas pela página “Fuja da Caverna”, do Facebook, mas ainda assim eu pretendo torná-lo o mais curto possível. Escolhi essa página porque seus moderadores têm um modo especialmente psicopático de persuadir pessoas a desacreditarem na religião cristã, especialmente a católica. Do modo como eles a apresentam, ela aparenta ser uma religião pior do que o islamismo — que eles também criticam, mas não com a mesma intensidade — muito embora o cristianismo tenha existido por cerca dois mil anos e não tenha produzido os mesmos frutos que o islamismo produziu, fato facílimo de se observar. Inclusive, a Igreja Católica trouxe muitos benefícios à sociedade ocidental, o que já prova que a fé em um Deus não é a responsável pela geração de atitudes psicopáticas vindas da parte dos fiéis. Ter fé no homem, por outro lado, é um gerador problemas, como se vê nos casos de centenas de milhões de mortes no socialismo, que nunca deu certo em lugar nenhum e ainda assim muitas pessoas insistem que ele seja implantado no mundo, com a fé de que a humanidade, um dia, criará uma sociedade linda e perfeita.

O referido post faz menção a um vídeo de Sam Harris — muito conhecido por usar o shaming em seus discursos para acusar os cristãos de psicopatia — onde ele põe a moral do Deus cristão à prova. Não pretendo comentar cada minuto do vídeo, mas sim a natureza psicopática e dissimulada da argumentação de Sam Harris. Esse mesmo estilo de argumentação pode ser percebido ao passar uma olhada pela página “Fuja da Caverna”. Assistindo ao vídeo, é fácil observar que Sam Harris utiliza mais um jogo de sentimentalismo do que uma argumentação própriamente dita, e é por isso que eu resolvi não comentar o vídeo todo, pois o todo não é relevante, mas sim o ponto central da questão onde Harris põe toda a sua argumentação: “Como pode um Deus perfeitamente poderoso, perfeitamente bondoso e perfeitamente sábio deixar que o mal aconteça? Não somente isso, mas como pode ele deixar que seus filhos caminhem em direção a esse mal, andando com seus próprios pés até o inferno, sem nem mesmo terem consciência disso?”

Esse é o cerne da questão onde Sam Harris baseia toda a sua argumentação. O interessante aqui é apontarmos, desde o início, o modo como Sam Harris joga com o sentimento das pessoas ao apontar as supostas imoralidades de Deus, pois estamos jogando aqui os dois jogos ao mesmo tempo: o apelo emocional e a argumentação lógica. É importante vencer em ambos os campos para “ganhar” definitivamente o debate, pois do contrário as pessoas — principalmente as mais simples e facilmente sugestionáveis — não se sentem realmente convencidas da sua argumentação, e você vai acabar fazendo papel de trouxa. Para quebrar o apelo emocional de Sam Harris, devemos colocá-lo abaixo pelo seu próprio livro de regras e lançar de volta a mesma batata-quente que ele nos lançou, isso quer dizer: jogar nele exatamente o mesmo shaming que ele nos joga.

Sam Harris se mostra muito espertinho ao falar do mal que Deus estaria causando ao mundo a cada instante, caso sua existência fosse comprovada. Acontece que ele se esquece que, se Deus existe, Ele existe em toda a realidade — é simplesmente impossível que Sam Harris analise a “moralidade” de Deus se colocando num plano superior a ele e considerando-o como uma mera hipótese, e somente a partir desse ponto de vista “distanciado”, analisar Deus como se Ele fosse um objeto qualquer que pudesse passar pelo crivo do método científico. Isso é impossível por definição, pois sendo Deus onipresente, Sam Harris não poderia se distanciar dele, nem mesmo quando o considerasse como uma hipótese. Isso quer dizer, em liguagem mais simples, que Sam Harris não pode se colocar no mesmo nível de Deus e pô-lo abaixo pelo seu próprio livro de regras. Isso simplesmente não funciona com Deus, pois caso Deus existisse, ele não poderia estar sujeito a nenhuma moralidade, pois ele seria o próprio criador dela. Sam Harris perde o jogo nesta: quem é dententor da definição do que é “bom” ou “mau” é o próprio Deus: a criação não pode julgar o Criador pelas regras que lhe são impostas.

Nos atemos à parte lógica da coisa: você não pode julgar o criador das regras do jogo pelas mesmas regras que ele criou. Mas ainda assim isso soaria estranho, pois provavelmente ao terminarmos de derrubar logicamente o argumento de Sam Harris, ele logo o levantaria novamente com um apelo emocional: “Quer dizer que se Deus é o dono das regras, então se Ele mandasse você estuprar e matar uma mulher grávida e inocente agora mesmo, você obedeceria, porque Deus é sempre necessariamente bom?” A resposta soaria muito mal aos ouvidos de todo mundo, pois seguindo a lógica que apresentamos até o momento, a conclusão óbvia da pergunta seria “sim”. O problema aqui se coloca da seguinte forma: “Será que Deus realmente ordenaria algo assim?” Não, não ordenaria, e Sam Harris sabe disso, mas fez essa questão para confundir o oponente. Sam Harris tem um problema quando joga com o sentimento das pessoas nessa questão, pois ele omite duas informações pertinentes à questão: ele sabe que dentro do contexto do cristianismo ele deve admitir a hipótese de que, se Deus existe, Ele nos concedeu o livre-arbítrio, e ele também sabe que, se Deus existe, Ele é onisciente. Por um lado, a humanidade tem sua parte da culpa em muitas coisas que acontecem no mundo, e por outro lado, enquanto Deus conheceria todas as variáveis possíveis e existentes, nós só conhecemos uma parte infinitesimal delas. Na verdade, toda questão que envolve Deus com o mal que acontece no mundo esbarra nesse obstáculo: a questão do mal é impossível de ser respondida com exatidão, e os cristãos perdem o jogo quando seus oponentes os acusam, em tom de chacota, de falar que “Deus é misterioso”.

Mas por que ficar com a batata-quente na nossa mão? Se, por não ser possível conhecer todas as variáveis que Deus conhece, é impossível oferecer uma resposta concreta à questão do mal, isso também quer dizer que é impossível sequer formular a “questão do mal”, exatamente pelo mesmo problema: Sam Harris não pode acusar Deus de estar causando o mal no mundo porque ele também não tem a mínima ideia se o que Deus faz é mal ou não — o que ele tem são somente sensações ruins acerca de certas coisas que acontecem no mundo, mas sensações não são argumentos: ele tem que provar isso. Ele não pode confirmar se Deus tem um objetivo maior em jogo ou não. Ele não sabe se Deus vai salvar ou não as pessoas boas, mesmo que estejam em outras religiões — ele simplesmente afirma isso sem provas. Ele é incapaz de diferenciar o mal que é causado únicamente por responsabilidade do homem do mal que ele diz supostamente ser causado por Deus, o que seria um ponto essencial para discutir a questão. Na verdade, ele simplesmente é incapaz de demonstrar sequer uma única contradição lógica entre a existência do mal e a existência de Deus. Há inúmeras variáveis que devem ser definidas antes mesmo da questão ser formulada! Ele fez uma pergunta inútil e sem resposta, que só serve para atrasar o debate e pra taxar os cristãos católicos de possuir atitudes de psicopatas.

Características de um psicopata podem ser mentir de forma compulsiva e manipular a cabeça das pessoas, então uma resposta à altura seria acusar o próprio Sam Harris de psicopatia por formular essa questão de propósito, sabendo que ela não poderia ser respondida de forma adequada e aguardando ansiosamente para chamar seu oponente de psicopata na frente de todos. Poderíamos dizer que o psicopata parece ser ele, que aparenta adorar se aproveitar da compaixão que as pessoas têm para com a morte de outras pessoas, só para convencê-las de que Deus não existe, mesmo sabendo que seu “argumento” só é constituído de apelos emocionais, e não de argumentos de fato.

Concluindo: não há nada de valioso para se discutir na questão do mal quando o assunto é discutir a existência de Deus. Se Sam Harris critica a religião por ser usada para o mal, porque ele não critica, por exemplo, o socialismo, que é uma ideia muito mais delirante do que qualquer religião pode ser, e que causou muito mais mortes do que todas as religiões juntas? Afinal, as religiões são usadas para o mal apenas ocasioalmente, quando seres humanos falíveis (e eles mesmos maus) as interpretam conforme o seu bel prazer, mas o socialismo é sempre do mal. A fé religiosa é, em si, inofensiva, mas a fé numa sociedade perfeita, como a história recentemente já provou, é sempre nociva.

Eu, preconceituoso? Não, sou totalmente contra o preconceito!

Que este sujeito não odeia crentes, não restam dúvidas, agora… de onde ele tirou que os religiosos acreditam em ETs?

Temos aí mais um exemplo da sabedoria elevada dos neo-ateus…