Festival de Besteiras Ateístas

Uma crítica à desonestidade de certas pessoas.

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Desafio aos neo-ateus

Vou dar meio ponto para a ATEA nessa. Por quê? Simples: porque eu concordo que o ensino religioso seja uma matéria não-obrigatória.Não concordo, porém, que essa matéria seja banida das escolas.

Na verdade, nesse post, eu queria falar mais sobre um pensamento absolutamente delirante que está escondido por trás desse pedido só tem aparências de ser honesto e inofensivo feito por parte dos neo-ateus. Os neo-ateus são, por via de regra, esquerdistas de carteirinha, porque eles fazem parte de uma agenda dentro das várias outras agendas da esquerda: o feminismo, o marxismo, o totalitarismo, o gayzismo, o desarmamentismo, o movimento “verde”, etc. etc. Este blog foca somente na agenda anti-religiosa do esquerdismo, por assim dizer.

Dito isso, eu gostaria de verificar uma coisa com os neo-ateus: se vocês rejeitam o ensino religioso nas escolas, pois não querem que seus respectivos filhos sejam educados na religiosidade, então por que, por outro lado, vocês também não rejeitam com igual veemência o partidarismo dentro das salas de aula, especificamente nas aulas de história, filosofia, geografia e sociologia? Afinal, como o Brasil inteiro já deveria saber, o projeto Escola Sem Partido já tem uma vasta quantidade de denúncias para deixar qualquer pai e mãe de queixo caído com as coisas grotescas que seus filhos aprendem presos entre as quatro paredes das salas de aula, sob a autoriade inquestionável de seus professores que: fazem propagandas de partidos; defendem o comunismo; criticam e humilham religiosos; descrevem os EUA e o capitalismo como um “crente” descreveria o diabo e o inferno; ensinam que ninguém nunca nasceu menino ou menina (ideologia do gênero); dão aulas de educação sexual; defendem o PT; e entre tantas outras coisas.

Tudo isso já está arqui-provado, e mesmo assim eu nunca vi — nem ouvi — nenhuma única reclamação contra esse tipo de coisa da parte dos neo-ateus. Por que dois pesos e duas medidas? Por que religião nas escolas não pode, mas esquerdismo pode? Está lançado o desafio: se vocês, neo-ateus, querem provar que eu estou errado e que vocês não têm parte com a esquerda, e que vocês são o que são somente porque não gostam de religiões, então critiquem também o partidarismo dentro das salas de aula, e não somente as aulas de ensino religioso. Isso que dizer: sejam coerentes!

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Essa é boa: agora o neo-ateísmo é um movimento moral.

Essa besteira pode ser vista aqui: Bule Voador

Não vou colar o texto inteiro de uma vez, mas vou refuta-lo parte por parte:

Aqui no Bule Voador tivemos textos notórios desde o ano passado fazendo uma (auto)crítica da comunidade ateia, especialmente aquela que se identifica com o termo “neoateu”. O termo ainda é desconfortável, pois veio de fora – partiu basicamente da mídia anglófona em reação aos livros de Dawkins, Harris, Hitchens, Dennett e outros. No nosso ambiente lusófono, um gosto amargo com o termo permaneceu aqui desde que traduzimos uma crítica muito boa de P. Z. Myers a certos erros comuns de serem encontrados na nossa comunidade (digamos, na comunidade ocidental de ateus, especialmente os menos silentes desde a última década). Um erro peculiar, que parece ser idiossincrasia dos ateus brasileiros, é a generalizada rejeição ao fato do ateísmo ser uma crença – a crença na inexistência de deuses. Tentativas de resposta a este fato incorreram em erros apontados por Stephen Bond na comunidade autointitulada cética: cientificismo, desprezo pela filosofia e citação de autoridades científicas reproduzindo esses mesmos preconceitos. A comunidade de filosofia analítica ficaria perplexa diante de tal polêmica num ponto tão pacífico de se estabelecer com argumentos.

Mas vamos agora apontar o que há de bom no neoateísmo, e, em parte previsivelmente, em parte ironicamente, esta contribuição valiosa vem de alguém com formação em filosofia: Daniel Fincke. O texto foi publicado antes no nosso Flying Teapot Project, a versão internacional do Bule Voador, também mantida pela Liga Humanista Secular do Brasil. No esforço eminentemente filosófico de destilar coerência e consistência do movimento neoateísta, Fincke propõe que devemos deixar de lado certos equívocos que cometemos por falta de atenção: como faz o próprio Richard Dawkins, quando por exemplo alega “não me importo com o que você acredita” frequentemente com interlocutores religiosos na BBC. Fincke mostra que não há nada de errado em ser neoateu, que há legitimamente algo de novo neste ateísmo, e este algo de novo, o que será surpresa para alguns, é em grande parte uma questão de moralidade. Uma questão que, devo lembrar, é intimamente relacionada ao humanismo secular. Boa leitura.

Vamos ver o que o texto nos sugere logo nos seus primeiros parágrafos:

  • Afirmou que o nome do neo-ateísmo foi sujado;
  • Quer apresentar o que há de bom no neo-ateísmo;
  • Quer demonstrar a coerência e consistência do neo-ateísmo;
  • Quer demonstrar que não há nada de errado em ser neo-ateu;
  • Quer demonstrar que o neo-ateísmo é apenas algo novo, que está relacionado à moral, e anda ao lado do humanismo secular.

Só daí já dá para parar com a leitura, pois é claramente previsível que o resto do texto vai tentar fazer uma lavagem cerebral em você. Mas é necessário que desmascaremos isto, então, vamos continuar:

Na noite passada argumentei que, quando fundamentalistas religiosos, devido a um senso exagerado de privilégio, exigem que ninguém jamais os ofenda, que os ateus desafiem a retidão moral dos sentimentos feridos específicos, hipersensíveis e injustificados dos fundamentalistas.

É engraçado falarem de retidão moral quando eles são a favor da destruição de todas as religiões do universo. Mais engraçado fica quando eles fazem a mesma coisa em relação a eles, e aos grupos que defendem (feministas, LGBTTTs, etc), pois são todos intocáveis, e experimente fazer uma só crítica a eles para ver o que acontece! Além do mais, os fundamentalistas são um grupo à parte, e não representam todos os religiosos. Adiante:

Argumentei que devíamos fazer isso em vez de defender de forma indiscriminada o direito de ofender pessoas ou fazer a falsa alegação de que ninguém jamais tem o direito moral de não ser ofendido. Na verdade, todos sempre tem o direito moral de não ser de fato moralmente ofendidos. Eles só não tem o direito de alegar ofensa quando não foram genuinamente ofendidos. Precisamos lutar por uma interpretação verdadeira sobre quando é certo ou errado se sentir moralmente ofendido, em ver de insinuar que ninguém que se sinta ofendido jamais teria o direito de exigir dos outros que não os ofendam. Para saber mais sobre esse assunto, veja a postagem de ontem Moral Offense Is Not Morally Neutral (A Ofensa Moral não é Moralmente Neutra) e/ou minha explicação mais longa e detalhada sobre estes assuntos, No, Not Everyone Has A Moral Right To Feel Offended By Just Any Satire or Criticism (Não, Nem Todos Tem O Direito Moral de se sentir ofendido por qualquer sátira ou crítica).

Na verdade, neste ponto o cara está correto. Ninguém tem o direito de não ser ofendido, mas também ninguém tem o direito de alegar ofensa sem ser ofendido. E é exatamente isso que os neo-ateus não entendem. Como eu disse acima, critique um neo-ateu ou um gay pra ver o que acontece, e verá que eles realmente não entendem esse conceito.

Agora gostaria de falar de forma mais ampla sobre a importância dos ateus conscientemente lidarem com categorias morais em geral, em vez de descartá-las todas como moralismo nojento – seja por alguma reação alérgica à moralidade por sua infelizmente estreita associação cultural com a religião por um lado, seja por um relativismo super-corretivo pelo outro. Pode-se, e deve-se, pensar moralmente sem ser um totalitário irrealista e não pragmático, e sem ser autoritário e supersticioso como os piores sistemas religiosos encorajam. Há uma robusta tradição filosófica que há pelo menos um século tem explorado rigorosamente a ética praticamente sem nenhuma tal falsidade moralmente infantil para atrapalhá-la.

Não sei à qual religião ele se refere, mas afirmar que a moral religiosa é autoritária e supersticiosa, e ao mesmo tempo sugerir que o neo-ateísmo defende que deve-se pensar sem ser totalitário e irrealista é no mínimo uma tentativa de self-selling, se não uma falácia. Afinal, não somos nós que queremos a destruição de todas as religiões do planeta Terra, ou acreditamos em um céu em terra, dizendo que sem religião não haveriam males, ou que o ser humano algum dia vai se livrar de suas imperfeições e irá conviver pacíficamente em uma sociedade onde todos são iguais e não haverá diferenças sociais ou econômicas, onde o mundo será perfeito e tudo o que há de bom. Isso é que é realmente pensar de forma totalitária e irrealista. Eu bem que avisei que uma tentativa de lavagem cerebral seria feita, e essa foi a primeira, que não funcionou muito bem.

E neoateus especificamente são um grupo moralmente motivado. Sim, há alguma preocupação com o simples avanço da ciência. Mas até mesmo os acomodacionistas [N. das T.: os ateus que pedem que defensores do ateísmo devem deixar de fazer tanto barulho são chamados por Jerry Coyne, P. Z. Myers e outros de “acomodacionistas”] estão interessados nisto. O que caracteristicamente distingue os neoateus é que nós estamos dispostos a recusar a negociação moral com religiões autoritárias baseadas na fé, o que outros ateus estão dispostos a fazer. Nos recusamos a admitir que o único tipo de crença religiosa que merece crítica pública são aquelas que infringem a política de forma regressiva ou anti-intelectual. Não queremos simplesmente deixar que as pessoas mantenham as suas ilusões desde que não nos afetem pessoalmente, se isso torna as pessoas felizes. Queremos na verdade argumentar que é intrinsecamente melhor viver com a verdade do que sem ela. Queremos argumentar que mesmo que não torne as pessoas mais felizes, elas deviam abandonar suas religiões baseadas na fé unicamente devido à sua falsidade.

Aqui é onde deve-se começar a ter medo desse tipo de gente. Como dito, eles estão dispostos a gritar e enfiar goela abaixo as suas idéias totalitárias à todas as pessoas, sem excessões, porque eles “acreditam” que as pessoas se tornariam “livres da mentira” sem a religião, pois esta mesma é falsa, e eles querem salvar as pessoas dela. Eles não querem que as pessoas continuem a ter uma religião própria, nem mesmo se estas não os incomodarem. É a este ponto que chegamos…

Isso é implicitamente uma exigência ética. Achamos que há algo de bom que as pessoas em geral deveriam ser exortadas a abraçar que é indiferente à sua imediata satisfação ou sofrimento. E com muita freqüência queremos argumentar que se eticamente todas as pessoas rejeitassem a fé, a superstição e o autoritarismo, a longo prazo tanto a felicidade social quanto a individual (e outros benefícios) aumentariam e que com base nisso valeria a pena arriscar que, a curto prazo, as pessoas incorram no sofrimento da desilusão e desorientação que resulta da perda da fé. Então tanto a atitude não-consequencialista quanto a consequencialista são consideradas pelo bem das vidas individuais e coletivas.

Vejam: eles acreditam que as pessoas serão mais felizes sem a religião, mas a longo prazo, e que vale a pena arriscar que as pessoas fiquem desiludidas no início. Mas eles afirmam isto sem certeza alguma, apenas “acreditam”, e nada mais. Eles baseiam-se no achismo, para então concluir que a religião é a raiz do mal, da superstição e do autoritarismo, coisa que eles mesmo estão fazendo agora: estão sendo supersticiosos, irrealistas e autoritaristas. E ainda dizem que é uma questão de ética. Convido eles a acharem para mim onde está a ética aí, senão a ilusão de que o mundo será um lugar melhor sem religião.

Isso é basicamente uma questão ética. Em contraste, são os apateístas e os acomodacionistas do tipo “viva e deixe viver” que são indiferentes a essas considerações sobre o que produz a melhor vida individual ou coletiva e que estão apenas interessados em manter a ciência ou a política puras mas que não seriam tão rudes a ponto de criticar as crenças pessoais de alguém ou os valores autoritários de fundamentação religiosa de culturas estrangeiras.  Nós neoateus vamos muito além da preocupação com a ciência e nos preocupamos em levar uma boa vida. E não devíamos ficar constrangidos por causa disso ou recuar quando confrontados e falsamente amenizar nossos ataques com afirmativas de que não nos importamos com o que qualquer pessoa pensa em particular enquanto mantiverem isso fora da esfera pública. Nós nos importamos, senão seríamos acomodacionistas que só combatem a religião tão minimante quanto for necessário para proteger a educação científica  e a separação de Igreja e Estado, sem nos arriscar para além disso. Se você tem interesse nas crenças particulares de alguém, você se interessa pelo seu bem estar. E você se interessa em ter uma influência ética.

É a mesma tentativa de lavagem cerebral que o parágrafo anterior tentou fazer. Eles simplesmente querem passar a desrespeitar a liberdade de qualquer um, em prol da “felicidade eterna” na terra. Nada mais a comentar aqui.

Da mesma forma, nós neoateus fazemos acusações morais contra os vícios intelectuais de pessoas religiosas. É com frequência que apontamos a fé como uma falha na honestidade das pessoas, uma falha pela qual elas devem assumir sua parcela de culpa; como uma inacreditável aceitação do preconceito; como um injusto privilégio dado às crenças de uma determinada tradição; como uma postura mesquinha e potencialmente perigosa que deve ser considerada culpada por qualquer dano que venha a causar, etc. 

Sim, concordo que a fé pode ser potencialmente perigosa. E os neo-ateus demonstram isso com clareza. Mas não a fé religiosa, e sim a fé cega, coisa que eles estão defendendo agora mesmo. A fé cega é um perigo mundial, e é necessário que  isto seja reconhecido. O neo-ateísmo é um vício intelectual que precisa ser tratado, e o mais rápido possível.

Mas só pra não deixar passar a besteira: eles acham que apenas pelo fato da pessoa possuir uma fé, ela torna-se automaticamente desonesta, pois a fé, de acordo com eles, é uma falha na honestidade.

É também como uma ofensa moral – ou seja, com uma raiva e indignação morais – que encaramos as imposições do privilégio religioso que enche ateus e outras minorias de vergonha e nos mantém no armário. Nossa ira em relação a isso é moral mesmo quando a questão não é política, e sim simplesmente um problema familiar ou dentro de nosso círculo de amizades.

Agora eles reclamam que nós é que mantemos eles “dentro do armário”. Ora, são eles é quem não tem coragem o suficiente pra se admitirem ateus, e nós é que somos alvos de toda ira e toda a culpa? Mas aprecio essa falta de coragem por parte dos neo-ateus. Imaginem o que poderiam ter feito se lhes restasse coragem o suficiente pra fazer o que eles afirmam querer fazer aqui.

E com frequência, quando nós neoateus temos motivação política, em nós (e em algumas das pessoas acomodacionistas também), esta motivação é fundamentalmente moral. Estamos protestando contra a injustiça moral perpetrada contra gays, pessoas trans, mulheres, pessoas atéias, minorias, imigrantes, e outros grupos prejudicados por políticas públicas reacionárias e de fundamento religioso. É essa ofensa moral que nos causa tanta raiva e vontade de protestar.

Ou seja, eles não admitem que alguem faça nenhuma espécie de crítica aos grupos defendidos por eles, mas defendem que todo mundo tem o direito de ser ofendido. Não sei em que moral eles se baseiam para isto. E não adianta vir com essa de estar do lado dos oprimidos, eles fazem isto apenas quando lhes é conveniente, mas no final das contas, apenas querem atingir seus objetivos totalitários. Todo mundo tem o direito de ser contra o homossexualismo e o lesbianismo, mas eles não respeitam isso. Ao contrário, eles podem criticar e se enraivecer o quanto quiserem, mas se alguém faz isto a eles, é provável que esse alguém sofra de overdose de processos e ofensas, ridicularizações em massa, e quem sabe batam na porta da casa dessa pessoa para uma tentativa de assassinato. E se você acha que eu exagero, veja alguns comentários que vi em sites neo-ateus em meio às minhas pesquisas:

Vai chamar Carpinteiro à puta-que-te-pariu. Cabões
como tu conheço-os de gingeira.  E já te avisei uma vez. Dá algum trabalho localizar-te, mas é possivel fazer-te
passar um mau bocado. Eu no teu lugar não arriscava tanto.

Os administradores do blog têm acesso aos IPs de todos os
comentadores, pelo que não é tão difícil como pensa chegar até ele e fazê-lo
passar umas semanas numa urgência. E, quando lá estiver com um braço engessado
e umas costelas partidas, vai ter tempo para apurar a escrita e melhorar a
retórica. Não é tarefa impossível chegar ao traffic shaping deste canalha e
arranjar-lhe uma placa dentária nova. Não é tão difícil quanto ele julga

Enfim, próximo:

Estamos apresentando argumentos éticos quando defendemos a autonomia em detrimento do patriarcado e da teocracia, a diversidade em detrimento da ditadura da maioria, o prazer sexual livre de culpa em detrimento da repressão, o sexo consensual em detrimento de formas “socialmente aceitáveis” de estupro, os direitos reprodutivos em detrimento de superstições biológicas, a liberdade de questionar em detrimento do autoritarismo, o senso de responsabilidade pelo atendimento ás necessidades da população mais pobre em detrimento do darwinismo social, o tratamento da dependência química baseado em compaixão e em princípios médicos em detrimento de uma tentativa de resolver tal questão apenas através de leis, os direitos de pessoas criminosas em detrimento da vingança da temerosa turba de “homens de bem”, a atenção às necessidades de grupos excluídos em detrimento do preconceito contra membros de nosso próprio grupo, etc., etc., em inúmeras áreas com as quais nos importamos apaixonadamente, e nas quais militamos.

Ilusões, ilusões, olhem o que vocês fazem com os pobres neo-ateus. Eles simplesmente querem acreditar que um drogado vai ir à uma clínica só na base da compaixão e do amor, eles querem acreditar que um casal gay é a mesma coisa que um casal heterossexual, eles querem acreditar que a religião é a origem dos males do universo, eles querem acreditar que criminosos convictos tem que ter uma segunda chance, uma terceira, uma quarta, e assim por diante. Todas essa visões baseadas em fé cega, à qual eles tanto são contra. Eles acham que todos vão agir conforme eles pensam, e o mundo virará um lugar melhor.

É uma tentativa de lavagem cerebral após a outra. Eles acham que eles ganham por repetição…

Nossa motivação implícita, o tempo inteiro, é guiada por uma consciência moral e por uma análise meticulosa desta moral. Rejeitamos o desleixado relativismo cultural que, em nome de uma perversão da ideia de tolerância, permitiria o abuso de direitos humanos no exterior desde que não nos afetassem. Rejeitamos as concessões fáceis que são feitas a mentiras e ao autoritarismo em troca de uma paz covarde e ordinária entre nós e as instituições religiosas que reprimem e oprimem a mente de seus membros mesmo quando não perturbam mais ninguém além destes membros.

Depois disso tudo, eles ainda culpam a religião por lavagem cerebral, e ainda dizem que analisam meticulosamente as suas consciências morais. Vimos que tudo isso é falso: eles é quem tentam fazer lavagem cerebral, e eles é quem se baseiam em fé cega. Não há nada de meticuloso no que eles fazem, se houvesse, haveria ao menos uma simples frase racional nesse texto todo.

E, por fim, enquanto movimento moral, precisamos ter consciência da forma como apresentamos nossos julgamentos morais. Precisamos examinar com rigor e ética as justificativas teóricas e práticas de nossas assertivas morais e da moralidade em si. Precisamos evitar a hipocrisia em nossos julgamentos. Precisamos ter cuidado para não cairmos no fundamentalismo ou na arrogância. Precisamos exercer a vigilância e a autocrítica, para que não nos tornemos o tipo de moralista que, quando está do outro lado, nos causa tanta repulsa. Precisamos impedir que, em nossas tentativas de influenciar a forma como outras pessoas pensam e como elas vivem uma das questões identitárias mais importantes em suas vidas (suas religiões), não nos tornemos tão repulsivos e invasivos quanto os proselitistas religiosos insistentes e manipuladores que tanto desprezamos.

Tarde demais. Vocês já são piores que os fundamentalistas religiosos. O pior disso é que a fé cega é tanta que eles já não são mais capazes de ver a sua própria irracionalidade. Se afirmam constantemente como donos da razão e da autocrítica, e nem se lixam a tentar demonstrar isto.

É… parece que não é bem um movimento moral o que eles querem. Está mais pra uma estorinha do Pink e do Cérebro pra tentar dominar o mundo.

Mas é hipócrita evitar o fardo de nossa responsabilidade moral alegando que não nos importamos com a moralidade privada de outras pessoas, e sim apenas com suas políticas públicas. E, por ser hipócrita, não é uma opção válida para nós, que aspiramos a ser pessoas honestas. Podemos estar defendendo um tipo de moralidade que envolve o pluralismo e uma diversidade moral muito maior do que a permitida pelo fundamentalismo religioso, mas ainda fazemos, com frequência, julgamentos morais em relação aos quais consideramos impossível ceder.  E precisamos nos apropriar desse sentimento, e ter orgulho dele, e examiná-lo com cuidado e atenção. É ele que nos torna uma alternativa real e robusta ao conservadorismo político teológico. É ele que que dá aos nossos argumentos uma base ética mais profunda e mais completa do que aos argumentos da maioria das  pessoas que professam o liberalismo ou o libertarianismo, pessoas sem interesse nas crenças e práticas alheias.

E os neo-ateus ainda se sentem responsáveis pela moral particular de todos, o que mostra mais uma vez as suas idéias totalitaristas. E depois vem o discursinho barrela de “somos honestos”,”defendemos uma moral melhor e mais diversificada”, “examinamos nossa moral com cuidado e atenção”,”temos uma base ética mais profunda e mais completa”. Demonstrar que é bom, nada. É só para lavagem cerebral mesmo.

Acho que já está na hora dos religiosos em geral se levantarem contra o neo-ateísmo, pois caso o contrário vai ter muita gente querendo cuidar de suas vidas como se elas não fossem realmente suas, coisa que esse texto mais sugeriu.

(EDITADO: fiz um erro de interpretação aqui, e por isto estou reescrevendo partes do meu texto)