Festival de Besteiras Ateístas

Uma crítica à desonestidade de certas pessoas.

Arquivos Mensais: abril 2012

A Bíblia veio do politeísmo da suméria?

Antes, assista ao vídeo sem ter vontade de enfiar uma faca no próprio olho. Volto logo em seguida:

Hauhueheuhaeueahueheuheuaehaueahu…..

Bom… deixando as lágrimas de risos de lado, vamos ver o que o vídeo tem a nos oferecer:

O nosso querido ateuinforma, chamado Pedro, alega ter encontrado várias semelhanças da Bíblia com outros mitos/religiões, e ele já nos fez o favor de postar as devidas fontes, e devolverei o favor refutando-as (e ao vídeo também):

http://g1.globo.com/Noticias/0,,MUL592805-9982,00-DEUS+BIBLICO+PODE+TER+TIDO+UMA+ESPOSA+AFIRMAM+PESQUISADORES.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Enuma_elish

http://www.ancienttexts.org/library/mesopotamian/gilgamesh/

http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/diaadia/diadia/arquivos/File/conteudo/sugestao_leitura/filosofia/texto_pdf/hesiodo_teogonia.pdf

Wikipédia? Globo? Uma semana INTEIRINHA estudando sobre o assunto? Qualquer pontada de desconfiança é mera choradeira de vocês…

Primeiramente, a notícia da globo é de cunho tão desconfiável que o autor se deu ao capricho de adicionar a palavra “pode” antes da afirmação do título. Realmente, não vi nenhum argumento ali que prova que os israelitas adoravam a tal da Asherah, e mesmo se adorassem, isso provavelmente não era da alegria do Deus Javé, o que explica o por quê da deusa ser tão demonizada na Bíblia. Enfim, a notícia é tão especulativa e a disparidade de opiniões entre os pesquisadores é tamanha que a notícia nem merece atenção.

Mais à frente, o ateuinforma menciona a semelhança entre um tal de poema da criação, de Enuma Elish, e o Gênesis. Algo que chega até a ser engraçado. O contorcionismo lógico é tanto que o próprio autor faz uma pequena pausa antes de recomeçar a leitura do Gênesis, e para disfarçar, ele apontou um erro de concordância no trecho do Gênesis, o que é inútil no final das contas, porque o objeto de discussão é outro. E então ele começa a apontar semelhanças: sejamos sinceros, a menos que você tenha muita criatividade, a semelhança entre os dois textos é mínima, e mesmo que houvessem semelhanças significativas, ainda seria necessário provar que os hebreus copiaram o texto, coisa que o Sr. Pedro acidentalmente se esquece.

Além disto, pra provar o contorcionismo lógico que é feito, ele apontou uma semelhança entre a primeira metade do poema de Enuma Elish e  uma parte do primeiro capítulo do Gênesis, e depois a outra outra metade do poema foi associada a outra parte do SEGUNDO capítulo do Gênesis. A tentativa de apontar semelhanças é tão chula que me dá vontade de parar por aqui e descartar o resto do vídeo como inválido, mas como já me comprometi a refutar tudo, sigamos em frente com esse show de fraudes.

Dispensando as baboseiras ditas depois dessa escorregada feia do poema de Enuma Elish, vamos à segunda sessão de humor: a epopéia de Gilgamesh.

Foi aí que eu quase chorei de rir. A picaretagem é tanta que não há outro modo de reagir a ela senão ridicularizando-a ao máximo. Em suma, toda a argumentação baseia-se unicamente nos textos da epopéia, ou seja, sem provas externas de que os hebreus tenham plagiado o conto e adaptado ele à Bíblia (alerta de fraudes a caminho). Vale lembrar também, novamente, que a epopéia possuí algumas semelhanças com uma parte do Gênesis, o que só contribui para tornar a argumenteção do Sr.Pedro ainda mais duvidosa.

É extremamente importante notar também que praticamente todas as religiões possuem elementos em comum, e que estes elementos não representam plágio. Por exemplo, na China, existe o mito da grande inundação (dilúvio), resolvida por Da Yu, o grande, que construiu barragens para impedir que as grandes águas demolissem as cidades.  Os tupis também tem um relato do dilúvio, assim como várias outras religiões e mitos. Isso levou muitos pesquisadores a pensarem que houve, realmente, um evento cataclísmico mundial que provocou o dilúvio em várias partes do mundo. O mesmo acontece com aquela história de criar o homem a partir do barro e também acontece com a famosa regra de ouro, que consiste em não fazer aos outros o que você não quer que façam a você. Também existem inúmeras teorias da criação, cada uma vinda de um mito/religião diferente. Eu poderia ficar aqui citando várias outras semelhanças entre as religiões, mas vocês já entenderam aonde eu queria chegar. É simplesmente impossível que todas as religiões tenham cometido plágio.

Então, mesmo que a semelhança seja tão grande assim entre a epopéia de Gilgamesh e o Gênesis (o que nem chega a ser o caso), dizer que ocorreu um plágio sem uma demonstração clara disto é simplesmente cometer petição de princípio.

Esclarecida essa parte, vamos apontar os erros de comparação mais grotescos:

A comparação entre o pecado original e a sedução de Enkidu pelas prostitutas foi, sem dúvidas, a mais desonesta. Na epopéia, Enkidu conheceu uma mulher e teve relações sexuais com ela, perdendo sua inocência. Na Bíblia, a história foi monstruosamente diferente, pois Eva mordeu o fruto proibido e depois deu-o ao Adão, movida pela tentação de obter imortalidade e chegar ao nível de uma divindade (“Sereis como deuses.”). Não houve relação sexual no Gênesis e não houve tentação na epopéia (isso sem contar que na origem de Enkidu, já existiam outras civilizações), e a partir daí, as semelhanças com o Gênesis da Bíblia começam a ficar ainda mais vagas. Os caminhos da epopéia e do Gênesis dividem-se depois disto, pois não houve castigo aparente à Enkidu, e a epopéia é centralizada principalmente na busca do sentido pela vida perante as faces da morte, coisa que não é nenhum pouco associada ao Gênesis.

Mas, como você deve ter percebido, essas partes da epopéia não foram apresentadas detalhadamente no vídeo quando ele começa a falar da epopéia de Gilgamesh, o qual apresenta como primeira semelhança notável os seguintes textos:

“Nenhum mortal pode chegar ao alto do monte, a sede dos deuses, pois ninguém viu a face dos deuses, pois quem viu a face dos deuses deve morrer”

“Não poderás ver minha face, pois homem nenhum pode ver minha face.” (Êx 33:20)

Temos aqui um caso de analfabetismo funcional: eu sinceramente não sei como ele conseguiu fazer qualquer ligação entre um texto e o outro. O da bíblia refere-se ao atributo da imaterialidade de Deus, e sendo assim, homem algum poderia ver a face de Deus. Já o da epopéia não parece dar suporte a esse atributo, apenas afirmando que quem vê a face dos deuses deve ser morto, e não explicitando que os homens não são capazes de ver a face dos deuses. Em frente:

Vejamos: algumas menções ao barro, ao pó, à morte, e à arvore da vida. Enfim, um truque foi detectado: ele sempre compara partes de um texto com partes do outro, mas ele evita comparar os dois textos em sua totalidade. Isso quer dizer que coisas extremamente importantes como o contexto serão simplesmente ignoradas. Além do mais, como dito antes, o argumento carece de provas quanto ao plágio. Após isto ele faz menções ao dilúvio… já estou começando a ficar cansado dessa mesma conversinha.

Então Gilgamesh encontra a planta da vida, uma cobra a devora, ele volta pra casa e morre… (bocejos). Bom, até aqui já deu pra perceber o contorcionismo lógico necessário pra acreditar que a epopéia de Gilgamesh foi plagiada pelos hebreus, algo que necessita de muitas provas para preencher suas lacunas. Provas essas as quais, até esse ponto do vídeo, não foram apresentadas, e que agora o cara simplesmente diz que fez a maior descoberta da vida, comentando então, a nossa próxima e última fonte: a teogonia do hesíodo.

Antes de comentar sobre a teogonia, ele faz pequena menção à escrita hebraica, especificamente à palavra elohim, que significaria “Deuses ou Majestades” (NOTA: ele diz que a ideia da santíssima trindade veio depois, mas isso é completamente irrelevante, pois se esse conceito for verdadeiro, isso quer dizer que a santíssima trindade sempre existiu… mais um fail do Sr.Pedro). Com uma pequena pesquisa, eu também encontrei que elohim, pode significar “Deus criador”/”Deus criador de todas as coisas”. Poderíamos conviver com esse problema, mas fiz isto apenas para equilibrar os lados. Aliás, eu desisto de comentar sobre a teogonia. É a mesma repetição de fraudes, e, como sempre, sem provas externas.

Após o término do vídeo, conclui-se que o nosso amigo Pedro (ateuinforma) é um ótimo contorcionista da lógica, um desonesto e um fraudador. Se eu mesmo quiser eu posso pegar muitos outros mitos da criação de outras religiões e dizer que são iguais ao Gênesis, e isto não configurará o plágio. Isso tudo pelo simples fato de haver tantos mitos da criação que é impossível que todos eles sejam fundamentalmente diferentes. É claro que no final das contas um vai acabar se assemelhando a outro, mas isto não vai querer dizer que um mito é cópia do outro.

Em última instância, ele ainda teve a cara-de-pau de generalizar e dizer que a Bíblia (subentende-se: inteira) veio do politeísmo da suméria, coisa que não é verdade. Ele centralizou toda a sua argumentação apenas em partes do livro do Gênesis, então se alguma coisa fosse se originar do politeísmo da suméria, seria apenas, e somente apenas, o livro do Gênesis, coisa que, como mostrei aqui, é um argumento sem pé nem cabeça, nem corpo, nem alma, nem nada… simplesmente não é argumento, só uma compilação de fraudes.

Bom… foi divertido.

Anúncios

Quando o ateísmo encontra a ignorância.

Veja a besteira aqui: http://livrespensadores.org/artigos/quando-a-religiao-encontra-a-esquizofrenia/

Sem ficar citando o post inteiro, para evitar a fadiga, vamos somente à parte que interessa.

Semana passada, não pude apurar exatamente a data, a polícia de Garanhuns, cidade que fica a 228 quilômetros de Recife, prendeu três pessoas, Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, de 50 anos, Isabel Cristina Pires, de 51, e Bruna Cristina Oliveira da Silva, de 25, que era inicialmente identificada como “Jéssica Camila”, de 22 anos, todos acusados de 3 assassinatos e de comer a carne dos mortos.

Quer dizer… Ele via duas “entidades” inexistentes, as quais ele nomeava como “anjos” (um querubim e um arcanjo), além de vozes que ele dizia escutar, o que lhe davam, conforme suas palavras, “missões vindas de deus”Ele dizia entregar as vítimas a deus.

Aqui é óbvio que a responsável pelas mortes não é a religião, nem a ideologia religiosa. É, sim, a somatória de problemas mentais dos envolvidos, mas não é apenas isto. A crença no sobrenatural (deus, anjos, demônios, etc.) faz um papel fundamental.

Antes que você discorde da afirmação que fiz no parágrafo anterior, responda a seguinte questão: no caso de Jorge, será que se ele não tivesse tais crenças, ele não teria procurado ajuda no momento em que começou a ver e ouvir tais “entidades”, ao invés de simplesmente seguir as ordens que elas davam? Pois é.

A questão toda é: alguém que acredita no sobrenatural, ao passar a ter visões ou a ouvir vozes, dificilmente desconfiará de doença mental. Ao contrário, na maioria dos casos vai achar ter sido “escolhido” para uma “missão maior” e aí começa toda a merda (com perdão do palavrão)… E, neste caso, quanto mais fundamentalista, pior.

Eu, por exemplo, se começasse a ter visões ou a ouvir vozes de uma hora para outra, sem dúvida alguma procuraria um psiquiatra imediatamente, ao invés de passar a me achar um “homem santo” e a seguir as ordens que tais coisas me dessem.

E você? O que faria numa situação destas? Seguiria as ordens, ou procuraria ajuda?

Oras, primeiro ele diz que a religião é só somatória, depois diz que ela desempenhou um papel fundamental para levar o assassino a cometer tais atrocidades, alguém notou contradições?

Vamos a mais uma:

Antes que você discorde da afirmação que fiz no parágrafo anterior, responda a seguinte questão: no caso de Jorge, será que se ele não tivesse tais crenças, ele não teria procurado ajuda no momento em que começou a ver e ouvir tais “entidades”, ao invés de simplesmente seguir as ordens que elas davam? Pois é.

Pois é… se formos conferir no vídeo, citado no post original, veremos claramente que o homem é um louco, e muito provavelmente, esquizofrênico, ou . De primeira você já vê que um cara assim, com crença no sobrenatural ou sem ela, com certeza estaria apto a cometer as mesmas atrocidades que cometeu, sem a mínima sombra de dúvidas, tendo como diferença apenas a motivação.

O autor beira ao cômico, se enrolando ainda mais no final, tentando colocar a culpa do assassino na conta da religião, tentativa essa obviamente falha. E ele ainda acha que o louco teria capacidade mental o suficiente para procurar um psiquiatra por ele mesmo, caso não acreditasse em seres superiores.

Mas o ápice da ignorância ainda está por vir:

Se deus realmente existisse eles não estariam presos, pois teriam agido em seu nome.

Que eu saiba, Pedro foi preso, mas isto nem vem ao caso. Como se Deus tivesse que fazer as coisas de acordo com o que eles querem que aconteça… sem mais.